Onde o tempo descansa e a memória se guarda
Houve um tempo em que o despertar não era feito por alarmes, mas pelo som metálico das bilhas que balançavam a caminho da vacaria. Esta peça é um tributo a esses caminhos de terra batida e ao orvalho da manhã. Originalmente um utensílio de sobrevivência e partilha nas nossas aldeias, esta bilha de leite foi resgatada do esquecimento para se tornar um baú de afetos.
Pelas mãos da artista Vicência Melo, o metal frio ganhou a suavidade do tom cinza e a delicadeza de um jardim eterno. Através da técnica de transfer e do detalhe minucioso do stencil em relevo, a Vicência não decorou apenas um objeto; ela bordou memórias. As flores e a borboleta que agora a habitam parecem querer contar as histórias de quem, há décadas, segurava esta mesma pega para trazer o sustento para a mesa da família.
Hoje, ela já não carrega leite, mas guarda algo muito mais precioso: a identidade de uma terra e o carinho de quem sabe que a arte é a forma mais bonita de manter viva uma tradição.
(Peça única e exclusiva)